segunda-feira, 6 de maio de 2013



No IX Encontro de pesquisadores, no dia 29/04/13, a professora Dra. Cláudia Fernandes, coordenadora do mestrado em educação da UNIRIO, abriu o encontro trazendo a boa notícia sobre a parceria que está sendo firmada entre a UNIRIO e a UBA (Universidade de Buenos Aires), que possibilitará maior aproximação com os estudos desenvolvidos por estas universidades, prevista ainda para este ano letivo. Assim, passou a palavra à Dra. Carmen Sanches, vice-coordenadora do PPDEDU, responsável pela vinda do professor Dr. Daniel Suárez, atual diretor da faculdade de educação UBA, que falou sobre Investigação Educativa e Redes de Formação Docente: questões de pesquisa. Ele nos trouxe reflexões sobre pesquisa em Educação, levantando questões sobre a conversação em torno de narrativas docentes, práticas escolares e investigação pedagógica. Como contribuir para os docentes constituam não só uma comunidade de práticas, mas também de conhecimentos?
 
Daniel Suárez defende a perspectiva da investigação-ação co-participativa entre docentes e pesquisadores acadêmicos ou profissionais, para a recriação da memória pedagógica da escola. Ou seja, os educadores também são coautores no processo de pesquisa, a partir de suas experiências pedagógicas no cotidiano escolar, num intercâmbio de conhecimentos entre educadores e academia.

Outro ponto levantado foi a importância da narrativa. A narração supõe um caráter mais democrático do que outras formas de saber. Todos narramos, todos somos contadores de histórias, e os professores são excelentes contadores de histórias, que ficam confinadas ao recreio, à sala dos professores etc. A narrativa na pesquisa é uma forma de preservação da memória, de sistematização e produção de conhecimento pelos docentes que vivem experiências que, de outro modo, ficam restritas ao ambiente escolar, sem publicização e contribuição para o debate público sobre educação.

Suárez apontou, ainda, quais os procedimentos adotados por ele nesse tipo de pesquisa: escrever, ler, comentar e conversar em grupo de pares, voltando para a reescrita, releitura, novas conversas e comentários, num processo espiral, no qual se aprofunda a escrita, a reflexão sobre a prática docente e sua leitura. Assim, todos se repensam e repensam suas práticas no processo de investigação participação-ação, com a circulação do saber em coautoria com os próprios docentes narradores. Sublinhou que este procedimento só se torna possível em um ambiente institucional que o propicie. A ideia é de construção coletiva, num processo de autoformação, conformação e de ecoformação.
Essas reflexões, por vários motivos, colaboraram com o aprofundamento das discussões do grupo, que se dedica ao estudo das narrativas, quer pelo viés da recepção, quer pela produção audiovisual. Numa situação ou em outra, a narrativa assistida ou feita por ele mesmo é elemento constituidor formador dos sujeitos, ao compartilhar da narrativa de outros ou ao narrar sua história. Os sujeitos, nossos pesquisados, narram-se pelos seus vídeos, pelas escolhas do que assistem, pelas falas que trazem no contexto da pesquisa... Tornar públicas essas narrativas é dar a conhecer um pouco mais de nós mesmos, da educação, da nossa sociedade e de nossa cultura. Suárez traz, ainda, pontos significativos para pensarmos sobre o próprio processo do “pesquisar”: a relevância das questões de investigação para os sujeitos pesquisados, o respeito ao saber desse sujeito na pesquisa, a possibilidade de se olhar a pesquisa como processo de formação do pesquisador e do pesquisado, numa troca mútua de saberes e construção conjunta. Esses (entre outros) aspectos levantados na palestra nos ajudam a repensar nossa atuação como investigadores das ciências sociais e sua especificidade.

Margareth Olegário e Lucineia Batista
Foto: Igor Helal

Para conhecer mais:
SUÁREZ, Daniel. Docentes, narrativa e investigación educativa: la documentación narrativa de las prácticas docentes y la indagación pedagógica del mundo y las experiencias escolares. In:   SVERDLICK, Ingrid (org.) La investigacion educativa: uma herramienta de conocimiento y de acicón. Buenos Aires: Noveduc.

quinta-feira, 2 de maio de 2013


No último dia 15 de abril, às 14h, o grupo participou da defesa da dissertação da Beatriz Moreira Porto Gonçalves - Bia Porto, do PPGE da PUC-Rio, orientanda de Mestrado da Prof Rosália Duarte. O título de sua defesa foi "Cinema, Educação e o Cineclube nas Escolas: uma experiência na Rede Pública do Sistema Municipal de Ensino do Rio de Janeiro". Sua banca contou com as professoras Milene da Silveira Gusmão (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – EESB), Cristina  Carvalho (PUC-Rio), além da orientadora Rosália Duarte, da PUC-Rio, presidente da banca. A dissertação teve como marcos conceituais as ideias sobre cinema dos pesquisadores franceses Alain Bergala e Jacques Rancière, e dos Estudos Culturais de Jesús Martín-Barbero. A pesquisadora acompanhou a experiência de cineclube em 248 escolas públicas do município do Rio de Janeiro e concluiu que embora o cinema/audiovisual esteja sendo utilizado na rede para trabalhar conteúdos muitos professores já estão descobrindo outras possibilidades de vasculhar o lado estético dessa arte.

A banca trouxe algumas reflexões importantes. A professora Milene provocou: "O que justificaria tomar o cineclube como uma referência importante na prática escolar?" Ela relatou que há toda uma movimentação no Brasil de intelectuais e cineastas para viabilizar algumas práticas de formação para e pelo audiovisual nas escolas. A professora Cristina observou que o Cineclube na escola ainda é apresentado como um apêndice. Por que não trabalhá-lo como um projeto integrado na escola como parte do projeto político destas?

A defesa foi muito importante para todos do grupo e principalmente para as pesquisadoras do nosso grupo Mirna Juliana e Thamyres Dalethese, bem como, Érica Rivas e Renata Ferreira, que também estão pesquisando sobre a importância dos cineclubes, as primeiras com foco nos estudantes universitários e as segundas com foco nos estudantes de ensino fundamental.

Desta defesa ficam algumas perguntas para colaborar com os estudos de nosso grupo... 

È possível falar dos cineclubes sem vincular a questão do cinema como arte?
Movimento cineclubista e cineclube não são a mesma coisa. Pode-se dizer que essas experiências de cineclube na escola trazem uma nova perspectiva ao cineclubismo?
Professor também é um espectador. Que lugar é esse de formação? Como o estamos vendo nesse contexto? 

Nesse sentido, as perguntas auxiliam a pensar o projeto de quase todos do grupo trazendo para a cena o papel do professor que também está presente na pesquisa de Joana Milliet e de Nilcéia Lopes. 

Defesa boa é defesa que traz contribuições amplas, que permitem a todos ver e rever seus caminhos percorridos e a percorrer...  

Lucineia Batista, Mirna Juliana e Prof. Adriana Hoffmann Fernandes