terça-feira, 21 de maio de 2013


Como grupo estamos sempre fazendo parcerias na construção das pesquisas que realizamos numa dimensão coletiva. As pesquisas do grupo não visam apenas a si próprias mas são pensadas em conjunto e constituem-se em parcerias teóricas, epistemológicas ou até mesmo de campos de pesquisa. Dessa forma, construir parcerias é parte da constituição de um grupo de pesquisa.

Foi pensando no nosso papel como integrantes de um grupo que se solidariza e atua em conjunto com seus integrantes, para além (apenas) da pesquisa individual de cada um, que convidamos e recebemos Valéria, mestranda do PROPED e coordenadora do Programa Rompendo Barreiras da UERJ, para falar de como tornar os textos (e-) acessíveis para pessoas cegas ou com baixa visão. Temos esse ano no grupo a entrada de Margareth e nossa parceria com ela nesse momento está sendo buscar formas de melhorar essa comunicação. A palestra/conversa de Valéria conosco no grupo foi nesse sentido de orientar-nos em relação ao envio de materiais que possam ser lidos por Margareth.

A consultoria de Valéria foi valiosa pois mostrou-nos que tornar um texto acessível é algo que deveria ser meta de todos os que postam e publicam materiais na rede. Através de sua história, seus relatos e suas orientações pudemos tirar dúvidas e – cada um do grupo - experimentará de forma responsável, as orientações dadas nos envios de materiais que formos disponibilizar, tendo sempre esse cuidado com nossa nova leitora.

Obrigada Valéria por suas orientações! Sucesso no seu projeto que ajuda a tantos estudantes da UERJ e de outras Universidades! Parabéns pelo trabalho realizado!

Adriana Hoffmann Fernandes 

segunda-feira, 6 de maio de 2013



No IX Encontro de pesquisadores, no dia 29/04/13, a professora Dra. Cláudia Fernandes, coordenadora do mestrado em educação da UNIRIO, abriu o encontro trazendo a boa notícia sobre a parceria que está sendo firmada entre a UNIRIO e a UBA (Universidade de Buenos Aires), que possibilitará maior aproximação com os estudos desenvolvidos por estas universidades, prevista ainda para este ano letivo. Assim, passou a palavra à Dra. Carmen Sanches, vice-coordenadora do PPDEDU, responsável pela vinda do professor Dr. Daniel Suárez, atual diretor da faculdade de educação UBA, que falou sobre Investigação Educativa e Redes de Formação Docente: questões de pesquisa. Ele nos trouxe reflexões sobre pesquisa em Educação, levantando questões sobre a conversação em torno de narrativas docentes, práticas escolares e investigação pedagógica. Como contribuir para os docentes constituam não só uma comunidade de práticas, mas também de conhecimentos?
 
Daniel Suárez defende a perspectiva da investigação-ação co-participativa entre docentes e pesquisadores acadêmicos ou profissionais, para a recriação da memória pedagógica da escola. Ou seja, os educadores também são coautores no processo de pesquisa, a partir de suas experiências pedagógicas no cotidiano escolar, num intercâmbio de conhecimentos entre educadores e academia.

Outro ponto levantado foi a importância da narrativa. A narração supõe um caráter mais democrático do que outras formas de saber. Todos narramos, todos somos contadores de histórias, e os professores são excelentes contadores de histórias, que ficam confinadas ao recreio, à sala dos professores etc. A narrativa na pesquisa é uma forma de preservação da memória, de sistematização e produção de conhecimento pelos docentes que vivem experiências que, de outro modo, ficam restritas ao ambiente escolar, sem publicização e contribuição para o debate público sobre educação.

Suárez apontou, ainda, quais os procedimentos adotados por ele nesse tipo de pesquisa: escrever, ler, comentar e conversar em grupo de pares, voltando para a reescrita, releitura, novas conversas e comentários, num processo espiral, no qual se aprofunda a escrita, a reflexão sobre a prática docente e sua leitura. Assim, todos se repensam e repensam suas práticas no processo de investigação participação-ação, com a circulação do saber em coautoria com os próprios docentes narradores. Sublinhou que este procedimento só se torna possível em um ambiente institucional que o propicie. A ideia é de construção coletiva, num processo de autoformação, conformação e de ecoformação.
Essas reflexões, por vários motivos, colaboraram com o aprofundamento das discussões do grupo, que se dedica ao estudo das narrativas, quer pelo viés da recepção, quer pela produção audiovisual. Numa situação ou em outra, a narrativa assistida ou feita por ele mesmo é elemento constituidor formador dos sujeitos, ao compartilhar da narrativa de outros ou ao narrar sua história. Os sujeitos, nossos pesquisados, narram-se pelos seus vídeos, pelas escolhas do que assistem, pelas falas que trazem no contexto da pesquisa... Tornar públicas essas narrativas é dar a conhecer um pouco mais de nós mesmos, da educação, da nossa sociedade e de nossa cultura. Suárez traz, ainda, pontos significativos para pensarmos sobre o próprio processo do “pesquisar”: a relevância das questões de investigação para os sujeitos pesquisados, o respeito ao saber desse sujeito na pesquisa, a possibilidade de se olhar a pesquisa como processo de formação do pesquisador e do pesquisado, numa troca mútua de saberes e construção conjunta. Esses (entre outros) aspectos levantados na palestra nos ajudam a repensar nossa atuação como investigadores das ciências sociais e sua especificidade.

Margareth Olegário e Lucineia Batista
Foto: Igor Helal

Para conhecer mais:
SUÁREZ, Daniel. Docentes, narrativa e investigación educativa: la documentación narrativa de las prácticas docentes y la indagación pedagógica del mundo y las experiencias escolares. In:   SVERDLICK, Ingrid (org.) La investigacion educativa: uma herramienta de conocimiento y de acicón. Buenos Aires: Noveduc.